Sorriso

Um sorriso
Move tudo
E tudo transforma,
Por isso eu sorrio…
Para a minha vida ganhar forma.




Sun

Sun

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sensações




Desta vez, aqui estou eu. Sentada. A observar o me rodeia. Sentada. De caneta e papel na mão, para mais um momento de intimidade para com os meus servidores.

Vejo pessoas. Não muitas. Umas a recolherem as bandejas e a limpar as mesas do pequeno-almoço, outras ainda a tomarem o seu café e a comerem um bolo antes de entrarem para o trabalho. Avisto um homem, na casa dos 50 anos penso eu, sentado a beber um café e a ler o jornal. Parece estar abstraído de tudo, concentrado apenas nas notícias do dia anterior. Parece calmo, atento aos problemas da sociedade, mas sem preocupação. Talvez tenha uma vida fácil. Quiçá! A maneira como ele eleva a chávena do café, sem medo que ela escorregue da mão e o café se entorne por cima da sua roupa. Bem vestido. Sem medo.

Ao meu lado está um grupo de rapazes fardados, pouco mais velhos do que eu, também a tomarem o pequeno-almoço. Pareciam divertidos. Não ansiosos por irem trabalhar. Talvez por estarem na companhia uns dos outros. Fico a observá-los durante algum tempo. Desvio o olhar para um plano mais amplo. Vejo pessoas a chegar. A andarem de um lado para o outro. Cada vez mais.

Sinto mais movimento. Mais actividade. Ouço mais barulho. A música de fundo que por um instante estava a escutar, tornou-se imperceptível. Não era muito inspiradora, mas agradável. As pessoas conversam. Ouço risos, sons de chávenas a pousarem na mesa, cadeiras a arrastarem…escuto…escuto…

Dou uma dentada no panik de chocolate que estava a comer e bebo um pouco do compal de tutti-frutti. Cheiro o aroma a chocolate quente enquanto o como. Um cheiro agradável. Pousei mais uma vez. Observo novamente o que está à minha volta. Por momentos só os meus olhos se moviam. Por momentos, senti que tudo à minha volta parou. Fiquei aflita. O meu coração bateu apressadamente. A minha respiração começou a diminuir cada vez mais. O meu corpo tinha paralisado. Não tinha voz. Estava sem voz. Tentei fazer tudo. Tentei…

Sentou-se um casal à minha frente. Estremeci. Olho em volta e tudo estava normal. As pessoas continuavam a andar de um lado para o outro. O senhor na casa dos 50 ainda permanecia a ler o seu jornal, ouço os mesmos sons que há pouco…Tudo está normal. No seu devido lugar. Eu também. Estarei? Será que o meu lugar é nesta mesa? Não sei, até podia ser na outra mais à frente. Mas estarei eu no lugar certo? Quero dizer, será que eu devia ser eu, ou devia ser outra pessoa? Viver noutro lugar, conviver com outras pessoas, frequentar outros lugares. Será que estou a viver a vida certa? E será que estas pessoas estão a viver a vida delas? Talvez. Mas ninguém sabe.

Fico a imaginar um mundo totalmente diferente deste. Em vão.

Bem, se me dão licença, vou terminar o meu pequeno-almoço.
Uma visão dimensionaria sobre Solis is

O ser Humano é composto de mudanças, é gerado, criado, “desenvolvido” no meio de outros, nasce para aprender, para reproduzir, para ser feliz…Cada individuo tem que aceitar as regras de ter na família e aprender a viver com cada membro até que a vida lhe prive de o fazer… Por outro lado, cada individuo tem a particularidade de escolher as pessoas com quem querem conviver, aprender, partilhar momentos bons e menos bons e o direito de as dispensar quando vir que chegou o momento, assim como o direito de os guardar para sempre na vida como se fossem tatuagens, a isso chamamos amigos e/ou mais do que isso. O ser Humano é distinto, e caracteriza-lo torna-se relativo…Cada ser tem o seu feitio, seus defeitos, virtudes, grandes ou pequenos feitos, erros, tem um passado, saudades, sentimentos de culpa, o futuro traçado embora nunca vivido, planos, sonhos…o ser Humano tem entes, pessoas que passam na vida dele que deixam marcas, umas ficam perto, outras longe e outras não voltam mais…o ser humano é feito também de lágrimas e sorrisos, derrotas e vitórias, de vida e de morte…
Aqui me encontro para dar um parecer, fazer o que me limito a fazer todos os dias, caracterizo mentalmente as pessoas que lidam comigo diariamente de forma intrínseca, guardando somente para mim. Hoje, caracterizo uma pessoa, aquela com quem mais me identifico, mas faço-o para o papel!
Vera Solange Lima Cunha…outrora uma criança feliz, normal, mas que teve que aprender a viver com as adversidades e as partidas que a vida, injustamente, lhe pregou…desnorteou-a, entristeceu-a, tornou-a na pessoa que ela é hoje…ora tímida, ora ousada, contudo, firme na maneira de pensar…não é influenciável, é individualista, inconformista, porém, determinada e impetuosa… Admirada por muitos, e creio que invejada por alguns…acho que é uma pessoa insegura no que pensa, porém, segura no que faz…sensível, por vezes não controla emoções, é sonhadora e fantasista. É capaz de permanecer durante um longo período de tempo num mundo à parte, mas sempre com os pés assentes na terra. O seu interior é cheio de conflitos, a cabeça e coração tem atritos fora do vulgar com alguma frequência, mas são organizados ao ponto de “fazerem as pazes” no momento certo. Solange é dotada de uma inteligência sensível, o gosto e a necessidade pela escrita faz com que ela tenha “introspecções periódicas” ao passar para o papel aquilo que, no momento lhe vai na alma…Poetisa, o que muitos lhe chamam…
E defeitos? Não é que os tenha, mas muitas vezes os mostra...diria que tem uma “quase dupla personalidade” e talvez vou contrariar, um pouco, aquilo que já referi! Vera é fria, insensível, arrogante, orgulhosa…Calculista nas amizades e nos amores…desconfiada…agressiva na frontalidade…imperceptível…Enfim, Solis is “ é feita” metade defeito, metade virtude, como qualquer ser Humano, como ela próprio o diz: “ Quem gostou, gostou, quem não gostou…”
Dona de algo peculiar, que vai ficar, indelevelmente, marcado, o seu característico sorriso que demonstra um pouco da sua obliqua felicidade…nem sempre é visível, mas o olhar que é notável mostra bem aquilo que realmente ela é e aquilo que ela quer, e o que ela quer, ela sabe que vai conseguir, porque, nem a imagem da sua veste negra a vai conseguir escurecer…Eu limito-me a contempla-la, a estima-la, a admira-la e a fazer dela a tal tatuagem.

Vítor Hugo F. Lopes